Reflexão sobre "Animação Cultural" por Vilém FIusser

O elo entre o homem e as suas criações, os objetos, sempre foi um assunto tratado na perspectiva do vínculo de serventia ao homem desses seres inanimados e pouco abordado no ponto de vista dos objetos. Contemplando a discussão abordada pela mesa redonda sobre tal relação entre a humanidade e os objetos, o que mais me interessa é a ideia do complexo de inferioridade dos homens em relação a tais seres. Tal insegurança fica evidente na tentativa de nos autoafirmar os seres mais inteligentes do planeta e o topo da cadeia alimentar. Essas alegações caem por terra ao refletirmos que não somos nada sem os objetos que fizemos. Nesse contexto, nossas vidas giram em torno do consumo de objetos, e nosso entretenimento em torno de televisões e, mais atualmente, dos celulares, o último nos controla de tal forma que a comunicação cara a cara das pessoas diminuiu drasticamente e a posse desse objeto se tornou quase obrigatória. Caso não usufruamos desse aparelho, caímos quase em exclusão completa. Além disso, podemos inferir que nós somos animais com capacidades mentais razoavelmente altas, mas sem grandes habilidades físicas. Nos proteger em um ambiente natural sem os nossos objetos se torna quase impossível. Chega a ser irônico que a espécie dita - por ela mesma - a "mais inteligente de todas" é a única que está no processo de causar a própria extinção por causa das respectivas invenções que danificam o ambiente em que vive. Ademais, outra ideia abordada pela mesa que me atrai é a dos três terrenos. Acredito que tais terrenos podem ser relacionados com o trabalho do Arquiteto. Esse profissional tem por função criar objetos, as construções, que suportarão os fenômenos da natureza e se relacionarão intimamente com a vida dos homens que as habitarão.

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