O Zero e o Um
A computação ocupa sem dúvida um espaço enorme nas nossas vidas, mormente desde os anos 1990. Essa ciência é completamente baseada nos números zeros e uns que compõem sua programação. Tais números frequentemente são vistos como opostos, o zero é considerado nada, e designa pessoas como ninguéns. Já o um é visto como o superior, e aponta pessoas como melhores. Estamos acostumados a transferir tal lógica para nossas vidas e classificamos tudo em dois opostos, como, por exemplo, bom e ruim, preto e branco, bem e mal, rico e pobre, feliz e triste, bonito e feio, homem e mulher, certo e errado, entre muitos outros. Essa mania de polarizar tudo acaba nos cegando para muitas coisas que estão entre os dois extremos. A cidade pode ser analisada sob essa ótica preconceituosa de divisão em opostos. É possível pensar no caso de áreas ricas da cidade e aglomerados por exemplo. Analisando ambos os locais podemos classificar um, de um lado, como um sítio urbanisticamente mais organizado, com uma melhor oferta de serviços e uma conservação melhor das construções. Por outro lado, a outra como uma ocupação mais expontânea, com menos serviços, e uma maior violência. Se concentrar-mos apenas nesses aspectos opostos, e as caracterizar como lugares bons e ruins, ricos e pobres apenas, acabamos nos fechando para os pontos positivos que região mais pobre tem. Sendo assim, podemos acabar ignorarando, por exemplo, a grande produção cultural que existe nessas áreas mais carentes das cidades, o senso de comunidade muito forte nesses locais, que foi perdido em outras áreas da cidade. É necessário pensar que as coisas nem sempre se organizam em extremos, é preciso analisar o todo antes de inferir sobre alguma coisa, se não podemos acabar sendo injustos ou preconceituosos.
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