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Mostrando postagens de março, 2018

O Zero e o Um

A computação ocupa sem dúvida um espaço enorme nas nossas vidas, mormente desde os anos 1990. Essa ciência é completamente baseada nos números zeros e uns que compõem sua programação.  Tais números frequentemente são vistos como opostos, o zero é considerado nada, e designa pessoas como ninguéns. Já o um é visto como o superior, e aponta pessoas como melhores. Estamos acostumados a transferir tal lógica para nossas vidas e classificamos tudo em dois opostos, como, por exemplo, bom e ruim, preto e branco, bem e mal, rico e pobre, feliz e triste, bonito e feio, homem e mulher, certo e errado, entre muitos outros. Essa mania de polarizar tudo acaba nos cegando para muitas coisas que estão entre os dois extremos. A cidade pode ser analisada sob essa ótica preconceituosa de divisão em opostos. É possível pensar no caso de áreas ricas da cidade e aglomerados por exemplo. Analisando ambos os locais podemos classificar um, de um lado, como um sítio urbanisticamente mais organizado, com uma...

Roupa e Arquitetura

Em uma primeira análise, soa estranho comparar roupa à arquitetura. As duas, entretanto, têm muito em comum, elas, por exemplo, podem refletir a posição social e a personalidade de uma pessoa, e de uma forma mais ampla refletem uma sociedade no tempo e no espaço. Por mais que seja possível compará-las em muitos aspectos, é mais fácil pensarmos nas diferenças que elas têm entre si. A vestimenta, por exemplo, é uma forma de nos expressarmos que é mais transitória do que a arquitetura. A primeira pode representar um estado de espírito momentâneo de uma pessoa. Apesar de muitas vezes retratarmos a arquitetura como algo dinâmico, que muda com o uso das pessoas, mesmo que pensada de uma forma pode ser utilizada de outra completamente diferente, ainda sim, a arquitetura é algo mais estático. Nós trocamos de roupa algumas vezes ao dia, substituímos o tipo de roupa que usamos de acordo com a época do ano, por outro lado, a arquitetura é planejada de forma a suportar quase qualquer tipo de força...

Reflexão sobre "Animação Cultural" por Vilém FIusser

O elo entre o homem e as suas criações, os objetos, sempre foi um assunto tratado na perspectiva do vínculo de serventia ao homem desses seres inanimados e pouco abordado no ponto de vista dos objetos. Contemplando a discussão abordada pela mesa redonda sobre tal relação entre a humanidade e os objetos, o que mais me interessa é a ideia do complexo de inferioridade dos homens em relação a tais seres. Tal insegurança fica evidente na tentativa de nos autoafirmar os seres mais inteligentes do planeta e o topo da cadeia alimentar. Essas alegações caem por terra ao refletirmos que não somos nada sem os objetos que fizemos. Nesse contexto, nossas vidas giram em torno do consumo de objetos, e nosso entretenimento em torno de televisões e, mais atualmente, dos celulares, o último nos controla de tal forma que a comunicação cara a cara das pessoas diminuiu drasticamente e a posse desse objeto se tornou quase obrigatória. Caso não usufruamos desse aparelho, caímos quase em exclusão completa. Al...